segunda-feira, janeiro 09, 2012

Irã começou a enriquecer urânio em um bunker dentro de uma montanha



O Irã começou a enriquecer urânio em um bunker subterrâneo dentro de uma montanha, disseram fontes diplomáticas nesta segunda-feira, afirmando que a informação é particularmente preocupante porque o local é usado para produzir material que pode ser aprimorado mais rapidamente para uso em uma arma nuclear do que o principal estoque enriquecido do país.

As fontes diplomáticas disseram que as centrífugas no sítio subterrâneo de Fordo, perto da cidade sagrada xiita de Qom, estão produzindo urânio enriquecido a uma pureza físsil de 20%. Esse nível é mais alto do que os 3,5% em produção na principal usina de enriquecimento de urânio iraniana e pode se tornar material físsil para uma ogiva de forma mais rápida e com menos trabalho.

O presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad, faz sinal da vitória após desembarcar na Venezuela (08/01)

Em comunicado divulgado posteriormente, a Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) confirmou o fato anunciado pelas autoridades do país. "A AIEA pode confirmar que o Irã iniciou a produção de urânio enriquecido até 20% (...) na usina de enriquecimento de Fordo."

A medida era esperada, com Teerã anunciando há meses que usaria a instalação de Fordo para a produção a 20%. O Irã começou a elevar o nível de enriquecimento de uma pequena parte de seu estoque de urânio para quase 20% em fevereiro de 2010 em um local experimental menos protegido, dizendo precisar do material para produzir combustível para um reator de Teerã que fabrica radioisótopos para pacientes com câncer.

Ainda nesta segunda-feira, o líder supremo do Irã, aiatolá Ali Khamenei, disse que o país não vai ceder à pressão das sanções impostas pelo Ocidente para forçá-lo a mudar os rumos de seu programa nuclear.O Irã recentemente ameaçou bloquear o Estreito de Ormuz, uma importante rota para quase um quinto do petróleo comercializado globalmente. Teerã também reagiu com raiva a esforços do Ocidente de sancionar o país por seu programa nuclear, incluindo um possível banimento pela Europa ao petróleo importado do Irã.

"A nação iraniana confia em seus governantes...As sanções impostas ao Irã por nossos inimigos não terão impacto em nossa nação", declarou Khamenei em um discurso televisionado pela emissora estatal. "Sanções não vão mudar a determinação de nossa nação".

A localização de Fordo também aumenta as preocupações. A instalação é um túnel fortalecido e é protegida por baterias de mísseis de defesa aérea e pela Guarda Revolucionária. O local fica a 32 km a norte de Qom, o centro religioso do sistema de governo do Irã.

Construída perto de um complexo militar, Fordo foi mantida em segredo e só foi reconhecida pelo Irã depois de ter sido identificada por agências de inteligência ocidentais em setembro de 2009.

O ministro britânico das Relações Exteriores, William Hague, qualificou a ação do Irã como um "ato de provocação que enfraquece ainda mais as afirmações iranianas de que seu programa tem natureza inteiramente civil".

Em comunicado, Hague disse que o Irá "já tem urânio enriquecido o suficiente para alimentar o reator por mais de cinco anos e nem seques instalou o equipamento necessário para a fabricação de combustíveis".

A porta-voz do Departamento de Estado americano, Victoria Nuland também questionou os motivos do Irã. "Quando você enriquece a 20%, não há razão possível para você estar falando em um programa pacífico", disse. "Então, isso tende a indicar que você está enriquecendo a um nível que te leva a um diferente tipo de programa nuclear."

Foto de satélite de 26/9/2009 divulgada pelo GeoEye mostra instalação de Fordo sob construção dentro de montanha perto de Qom, Irã

Condenação à morte

Aumentando a tensão entre os EUA e o Irã, a rádio estatal do país persa relatou nesta segunda-feira que uma corte de Teerã condenou um americano de origem iraniana por supostamente trabalhar para a CIA (Agência de Inteligência dos EUA), sentenciando-o à morte. Ele tem 20 dias para recorrer da decisão.

Segundo a Justiça iraniana, o ex-marine Amir Mirzaei Hekmati recebeu treinamento especial e serviu em bases americanas no Iraque e no Afeganistão antes de ir ao Irã para uma missão de inteligência. Ele foi condenado por colaborar com um país hostil, pertencer à CIA e tentar acusar o Irã de envolvimento em terrorismo.

O presidente dos EUA, Barack Obama, aprovou novas sanções contra o Irã há uma semana, tendo como alvo o Banco Central e a habilidade do país de vender petróleo no exterior. Os EUA protelaram a implementação das sanções por pelo menos seis meses, com temores de elevar o preço do petróleo em um momento de crise econômica global.

Os EUA e Israel disseram que todas as opções continuam sobre a mesa, incluindo uma ação militar, se o Irã continuar com seu programa de enriquecimento de urânio.

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