quinta-feira, abril 12, 2012

Georgia Power: Carvão Muco e Sangue


A central de carvão em Juliette, na Geórgia (Estados Unidos, imagem abaixo) é a maior de todo o País, com duas torres que cospem fumo numa altura de 300 metros.

De acordo com a Agência de Proteção Ambiental, é também o maior produtor de gases com "efeito estufa " de todos os EUA.

Os cidadãos de Juliette, que vivem ao redor da central, adoecem e morrem. O sintoma mais comum é acordar no meio da noite para cuspir sangue. O que não é agradável.

Os médicos entrevistam os pacientes: "A senhora é alcoólica?". São mães de família, idosos. Não são alcoólicos, simplesmente vivem perto duma central que cospe para a atmosfera poluentes 24 horas por dia. Mas as causas da doença permanecem um mistério.

Como "misteriosa" é a origem de todos os casos de câncer que afetam as famílias.

A Georgia Power, empresa de energia, nega qualquer responsabilidade. Mesmo quando a análise dos cabelos realizado por iniciativa própria dalguns cidadãos revelar 68 partes por milhão de urânio, um subproduto das cinzas de carvão. A empresa nega: tudo controlado, tudo nos moldes da lei.

E a lei prevê que uma casa possa ser vendida e comprada. É o que faz a Georgia Power: quando uma família finalmente ocupa as campas do cemitério local, a empresa compra a casa vazia. Abate a casa, sela o poço da água, planta um pequeno bosque de pinheiros. Porque a empresa preocupa-se com o ambiente.

Nos últimos tempo são avançadas ofertas para casas ainda habitadas. O facto é que os moradores estão doentes, é só uma questão de tempo e a empresa quer adiar o trabalho. Quando o último caixão abandonar o terreno, casa abatida, poço selado, pequeno bosque de pinheiro.

Mas selar os poços porquê? Os ativistas locais argumentam que a água está poluída e é a mesma água que os habitantes de Juliette costumam beber.

Será. Mas tudo está sob controle e de acordo com a lei. As empresas descaradamente mentem, os media não falam de certos assuntos e tudo pode continuar com cada vez mais pinheiros. Até que um dia, um jornalista não sabe o que escrever e então repara que numa cidade da Geórgia os habitantes morrem como moscas. Publica o artigo e nada acontece.

Os outros media ignoram, a notícia fica como simples curiosidade. E depois há sempre algo de mais importante que ultrapassa o assunto nas mentes dos leitores. Um furação, as ameaças do Irão, uma matança numa escola, o terrorismo.
E a mesma CNN, no anexo CNN Money, lista a Southern Company, dona da Georgia Power, como a primeira entre as World's Most Admired Companies, as empresas mais admiradas do mundo do sector da eletricidade.

Doutro lado, como criticar a Georgia Power, uma empresa que fornece trabalho a mais de 9.000 pessoas, numa altura em que a economia de Washington está em claro sofrimento?

E a Southern Company? Sozinha produz 42,000 megawatts de eletricidade e serve 4.3 milhões de utentes na Alabama, Geórgia, Florida e Mississípi.

O presidente, Thomas Fanning, é também administrador da Federal Reserve de Atlanta e no Conselho de administração encontramos:
  • Jon Boscia, da Sun Life Financial;
  • William Habermeyer, da Raymond James Financial Inc.;
  • Warren Hood, do banco BancorpSouth Bank;
  • Donald James, da Wells Fargo;
  • William Smith, da Capital City Bank.
Não se brinca com pessoas assim. 

Robert Maddox vive em Juliette. E está doente, claro. Começou a acordar de noite, com o nariz a sangrar uma mistura de muco claro com sangue. Os seus músculos começaram a contrair-se, ficou com os rins doentes e esclerose do fígado.

O médico perguntou se Maddox fosse alcoólico. "Eu não bebo" diz Maddox.

Também tinha uma vesícula biliar que teve de ser removida, tenho uma possibilidade em seis chances de sobreviver.O vizinho que morava na casa ao lado teve câncer abdominal. Mais duas casas e há uma mulher que antes estava em saúde, agora tem uma forma de demência que tornou a senhora "irreconhecível".

Além de todos nós estarem doente, temos sido abordados pela Georgia Power, querem comprar as propriedades. A casa ao lado, ficou bem selada.

Pois: A casa arrasada, o poço selado, um pequeno bosque de pinheiro. É o que sobrará de Robert Maddox e dos outros moradores de Juliette.

Quantas Juliette haverá pelo mundo fora? 

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