sexta-feira, abril 12, 2013

Coréias: qual será o fim da guerra de nervos?

A “guerra de nervos” no Sudeste Asiático ganha força. Pyongyang voltou a advertir Seul de que a guerra na Península Coreana pode começar a qualquer momento. Entretanto, as autoridades japonesas deram um falso alarme sobre o lançamento de um foguete norte-coreano.


Neste contexto, o chefe do Comitê Internacional da Duma de Estado da Rússia, Alexei Pushkov, propôs uma variante de redução da tensão ao redor da Coreia do Norte – um telefonema do presidente dos EUA, Barack Obama, ao líder norte-coreano, Kim Jong-un.

Barack Obama, se telefonar a Kim Jong-un, justificará em certos aspetos seu Prêmio Nobel de Paz, considera Alexei Pushkov. Na opinião do deputado, Kim Jong-un está disposto a desanuviar o conflito, mas sem perder a dignidade. Nesta situação, não quer transformar-se em bode expiatório, desejando ser reconhecido como um chefe de Estado que é tomado em consideração, declarou Pushkov.

Por enquanto, Pyongyang avança para este objetivo, utilizando a retórica da guerra. Na quinta-feira, o Norte voltou a advertir Seul que, se for necessário, o Exército norte-coreano é capaz de desferir um ataque de mísseis contra o adversário. Para intimidar mais, Pyongyang comunicou que nos sistemas de apontamento já estão introduzidas coordenadas de potenciais alvos no sul da península.

A tensão em torno da Coreia do Norte foi reforçada pelo segundo alarme falso declarado no Japão nos últimos dois dias. No país foi divulgado um comunicado errado sobre o lançamento de um foguete norte-coreano. A reação dos militares japoneses pode provocar ações de resposta de Pyongyang. Gueorgui Toloraya, perito do Instituto de Economia da Academia de Ciências da Rússia, não exclui que o conflito local entre o Norte e o Sul da Península Coreana possa rebentar a qualquer momento:

“Poderão acontecer alguns confrontos na fronteira, no mar Amarelo ou, talvez, alguns atos de subversão que levem a tiroteios, a um conflito local, não se devendo transformar, porém, numa guerra de envergadura.”

Duas Coreias: entre ameaças de guerra e pedidos de apoio

A crise em redor da Coreia do Norte evoluiu no pano de fundo das manobras militares conjuntas dos Estados Unidos e da Coreia do Sul, manobras que em muitos sentidos provocaram a retórica belicosa de Pyongyang, considera Alexander Vorontsov, perito do Instituto de Orientalística da Academia de Ciências da Rússia:

“O Norte tem certos receios, duvidando de que se trate de manobras militares de rotina ou de preparação para verdadeiras ações militares. Para prevenir o pior cenário, Pyongyang envia advertências ameaçadoras – não somos intimidados, não temos medo da guerra, se houver uma guerra, vamos combater até o fim e é melhor por isso não nos tocarem.”

As principais organizações sociais da Coreia do Sul apelam a que as autoridades comecem urgentemente as conversações com a Coreia do Norte. A Associação de Nações do Sudeste Asiático prometeu seu apoio. A Indonésia, que faz parte da ASEAN, também tenta a seu nível ajudar Seul e Pyongyang a começar os contatos para diminuir a tensão.

Washington espera também que a China utilize sua crescente influência na Coreia do Norte para regularizar a crise. Os Estados Unidos destacam “crescentes receios de Pequim quanto aos efeitos negativos da conduta insensata de Pyongyang”, apontando que a desestabilização na Península Coreana influi negativamente na situação estratégica em torno da China.

Entretanto, os ministros das Relações Exteriores dos países do G8 ameaçaram aplicar novas sanções Coreia do Norte, se esta lançar mais algum míssil. Como se espera, o ensaio de um míssil balístico de médio alcance pode ser efetuado na véspera de 15 de abril, dia em que o país irá assinalar o 101º aniversário do nascimento do fundador da Coreia do Norte, Kim Il-sung.

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